
VI – Domingo do Tempo Comum
14-02-2026
Encontro de Acólitos – Vigararia da Maia
14-02-2026Ainda que não seja o tema central, o evangelho de hoje fala-nos de uma das doenças crónicas do nosso tempo – o divórcio.
Quando se fala de divórcio, normalmente, considera-se uma relação falhada entre um homem e uma mulher, declarada como tal por um juiz que lhes permite, legalmente, separar as suas vidas e os seus bens de modo que, querendo voltar a uni-las, o poderão fazer.
Hoje, parece tão simples, tão fácil como também me parece ter sido o casarem-se. Por aqui compreendo que muitos já nem se casem, dispensando-se de gastar mais de uma centena de euros para fazerem o mesmo que há uns anos ficava por um pouco mais que dez. (É a crise… e a política “simplex” do Estado para evitar a burocracia).
Voltando à questão do divórcio, preciso de esclarecer duas coisas; – primeiro, e ao contrário do que alguns pensam e falam, o divórcio nunca foi nem será permitido na Igreja (“o que Deus uniu jamais o homem o separe”). Mas, se na Bíblia e na Igreja o casamento, validamente contraído, nunca poderá ser anulado, outra coisa será declarar nulo um acto, dito casamento, que ocorreu mas que por isto ou por aquilo (a provar de uma forma séria e devidamente fundamentada) não teve condições necessárias para ser reconhecido e respeitado como tal.
Então, importa distinguir duas coisas bem diferentes: uma é o divórcio, outra é a declaração de que não houve casamento, uma verdadeira aliança entre um homem e uma mulher, que por isso, se mantêm livres para casar.
Depois, se no evangelho de hoje Jesus nos diz que para haver adultério não é necessária uma relação extraconjugal, basta o desejo de que tal aconteça, (imaginem o que acontece por aí…), temos de concluir que não é necessário recorrer a um juiz para que haja divórcio. O tipo de vida entre ambos já os torna divorciados, pese embora, não serem reconhecidos como tais.
Por isso, se o número de divórcios é muito grande, maior será o dos divorciados, sem papel timbrado, sem advogados e juízes.
De facto, quando um homem e mulher vivem lado a lado como dois trilhos do caminho-de-ferro, quando apenas se suportam um ao outro, quando repetem os amuos durante mais ou menos dias, quando vivem a insultar-se, inclusive, diante dos filhos, sem o desejo de se reconciliarem, de se entreajudarem, não precisam de papel timbrado que ateste o divórcio. Já o vivem.
Para além deste regime ser um verdadeiro inferno, tantas vezes provocado pela inconsciência, pela irresponsabilidade de um ou de ambos, não são eles apenas a vítimas que sofrem. Quem mais sofre, até porque não tem capacidade de se defenderem, de uma forma ou de outra, são os filhos, normalmente, tratados como peças ou como bolas que se jogam segundo os interesses de um ou de outro, dada a degradação, o desrespeito a que se chegou pela vida e dignidade das pessoas.
Em consequência disto mesmo, se ele ou ela se acham no direito de refazerem as suas vidas, não acharão legítimo perguntar aos filhos, por exemplo, se acham bem verem-se privados do calor do pai ou da mãe, de depararem-se perante um homem ou uma mulher que se senta no lugar do pai ou da mãe a exercer a respectiva função?
Eis porque, o facilitismo, a brincadeira, a amoralidade e a imoralidade, a superficialidade de jovens e adultos, influenciados pelo facebook ou pela doutrina do “do agora, toda a gente faz assim” acrescenta tanta desgraça à que por outras razões é já tão grande. Falta muita humildade (é para o casal como a água para o peixe). Falta a vida espiritual, o bom senso e a sorte de encontrarem bons amigos e gente séria.




