
Solenidade da Ascensão do Senhor
15-05-2026Hoje, é dia da Ascensão do Senhor ao Céu.
Ascensão significa subida. Esta forma de dizer torna-se suscetível de criar dúvidas e enganos, porque isto de subir ao céu é muito relativo. Quem me garante que subir não é descer? Se a terra é redonda, não serei capaz de acertar. Por sua vez, o Céu significa firmamento. Ora não é disto que se trata. O texto diz “Céus”, que significa tudo o que está para além deste mundo, o que o transcende em qualidade e perfeição. Céus significa outro mundo, outra vida, diferente desta. Também o dizer-se que Jesus está sentado à direita do Pai exprime que Deus O glorificou, constituindo-O Senhor do céu e da terra.
Uma outra coisa estranha é lermos e ouvirmos o Evangelho a dizer que depois de presenciarem a Sua subida aos Céus, regressaram a Jerusalém com grande alegria. Ora, quando se trata de nos separarmos de uma pessoa amiga, esse momento é sempre motivo de tristeza. Portanto, nós esperaríamos que tivessem ficado transtornados e tristes. Mas não. O Evangelho diz que ficaram cheios de alegria, louvando a Deus.
Daqui se pode deduzir que viram nisso alguma vantagem. Mais, eles devem ter reconhecido que, agora, Jesus está presente no meio deles de uma maneira nova. Já não está dominado como nós pelo espaço e pelo tempo, mas para além do tempo, e livre de tudo aquilo que O poderia tornar plenamente feliz. Agora, não está visível aos nossos olhos mas mais próximo de cada um de nós.
Não está sujeito como nós a um lugar, mas para além dos espaços, no nosso íntimo, no coração de todos aqueles a quem o Espírito Santo faz sentir a sua proximidade e presença. Ele está junto de nós e para nós. Por isso, podemos dizer que o partir é o seu “vir”’, a que S. João alia a alegria interior. Jesus deixou de estar visível aos nossos olhos para estar perto de cada um de nós. Está junto de todos e podendo ser invocado por todos, em todos os lugares e ao longo da história.
No meu entender, esta é uma forma de Ele exprimir o seu senhorio, a sua superioridade sobre todas as criaturas, sendo fonte invisível de vida para todas elas. A manifestação disto mesmo deve ser a vida e a missão dos que nEle acreditam como Homem novo, que venceu a morte.
Na Ascensão de Jesus aos Céus, os discípulos reconhecem-se incumbidos de uma missão “em estafeta”. “O que ouvistes no segredo, publicai-o no cimo dos telhados”. A proximidade de Jesus na vida de cada membro da Igreja e a riqueza da sua graça hão-de manifestar-se pelo dinamismo evangelizador da mesma Igreja. Ela tem as rugas, os conflitos, as virtudes e cultura dos homens, mas também ela é o sinal misterioso de Deus. Apesar de hoje se deparar perante um mundo indiferente ou ateu, não deve ter medo. O que ela deve recear é o “enroscar-se” sobre ela mesma. Esta será a sua fraqueza. Por isso, o Papa Francisco dizia que a Igreja é uma “comunidade em saída”.



