
XVII – Domingo do Tempo Comum – “O reino de Deus é semelhante a um tesouro escondido”
25-07-2026Tempos atrás, quem imaginaria fazer um seguro por causa de uma caminhada, por causa de um convívio entre cerca de 50 pessoas, porque lhes poderá acontecer isto ou aquilo! Antes, não havia os mesmos riscos?
Hoje, fazemos parte de uma sociedade, que vive de seguros. Seguros para carro, contra terceiros ou contra todos os riscos, seguros de casa, seguros multirriscos, seguros de vida, de viagem, eu não sei quantos mais…
Julgo que isto está a transformar-se numa verdadeira mania, chegando-se ao ponto de haver pessoas que fazem seguro contra o risco do mau tempo em férias. Não nego o valor de toda esta mentalidade, própria de quem pensa, de quem é cauteloso, previdente, mas, reflitamos um momento: um seguro de vida, por exemplo, para que serve, e contra é que se faz tal seguro? Contra a morte? Certamente que não, apenas se assegura que no caso de morte, alguém virá receber determinada quantia, porque nada nem ninguém pode evitar a morte.
A proposta que Jesus nos faz hoje – a de buscarmos o Reino de Deus, é um seguro, não para quem fica, mas para quem vai, não para que outros gozem dele, mas para benefício próprio. Curiosamente, para fazer e gozar deste seguro, que também tem franquia, não precisamos de dar dinheiro, mas apenas uma atitude: – apostar nEle, ter a coragem de deixar o encanto das pérolas de fantasia, que enganam os nossos olhos, para descobrir, apreciar e possuir o que é invisível, e que só Ele nos dá: a liberdade e a alegria do acreditar nEle. Isto, só é possível, se levarmos o cristianismo a sério, fazendo dele não uma questão de conveniência, mas uma opção pessoal.
No meu entender, esta é a grande questão, que cada vez mais vem ao de cima: – a grande maioria dos cristãos não é constituída por pessoas que se decidiram a seguir Cristo, a descobrir, a incarnar a novidade do seu Evangelho, mas por gente que arrasta, com mais ou menos fidelidade, todo um conjunto de regras, de tradições, de doutrinas que mudam ou podem mudar, como mudam as regras do futebol, do hóquei ou de outra coisa qualquer. O que não muda e mobiliza a pessoa é o Amor.
Apesar de se falar muito dela nas Igrejas e com muita frequência ser uma palavra oca na boca de muitos namorados, apesar de o amor vir de Deus, muitos ainda não o descobriram e também não o reconhecem como tal.
Este é o tesouro que fará de nós outros D. Quixote (bem entendido) como S. Paulo e tantos outros cristãos que ainda hoje merecem o riso dos “inteligentes”, que assim se comportam porque não vivem a aventura, a liberdade e a alegria de quem descobriu este tesouro.


