
XXIII – Domingo do Tempo Comum
06-09-2026Vivemos num tempo em que a humildade é muito difícil de encontrar.
A humildade não é igual a amesquinhamento, desprezo, mas reconhecer a verdade, nomeadamente, a da nossa fraqueza, do lixo que existe na nossa vida, aquilo que a cada instante contraria o que queremos ser ou até imaginamos.
Longe desta atitude, que, inclusive, nos proporciona a paz interior (não foi Ele que disse: “aprendei de Mim que Eu sou manso e humilde de coração… e encontrareis paz para as vossas almas?”) há muitas pessoas que não se preocupam tanto com o que são, mas apenas com o que parecem. Não gostam muito do que se não vê, apenas se preocupam com o exterior, com a embalagem, com o verniz cera.
Eis porque, quando se lhe diz alguma coisa consideram isso como uma repreensão, uma censura, uma atitude que verdadeiramente as desestabiliza. A todo o custo pretendem manter a imagem, e que ninguém se atreva a pô-la em causa, até porque, cada um deve meter-se na sua vida. Mais ainda, tão preocupadas estão com a imagem, tratada de muitas maneiras, as pessoas dão a entender que são impecáveis, de conduta irrepreensível, elas e os que lhes pertencem. Neste sentido, todos sabemos, por exemplo, o que pode acontecer a todo aquele que numa questão social ou educativa cair na “pouca sorte” de fazer qualquer reparo, menos positivo a uma criança. Não é verdade que elas já nascem uns fora de série! …
A forma superficial e impiedosa como as pessoas se veem e não querem ser tratadas é normalmente a maneira como tratam os outros. Pena é que, por vezes, o ambiente interno das nossas igejas também seja marcado por atitudes que fazem delas lugares de coscuvilhice, de ataque rasteiro e impiedoso a quem teve a infelicidade em cair em desgraça.
Como é bela a imagem da liturgia de hoje, em que o profeta Ezequiel exprime a razão das suas intervenções, lembrando que o Senhor o constitui sentinela, na casa de Israel. Sim, todos nos devemos reconhecer chamados a ser profetas, e por isso, a ser sentinelas, não para denunciar a existência das trevas, (elas são tão verdade como a luz do dia) mas para que as pessoas sejam defendidas ou se defendam do seu poder.
E se hoje não faltam os que defendem os direitos dos animais, e esquecem os dos homens, importa que, antes de mais, se defendam e promovam os direitos e os projectos de Deus para estes. É preciso que haja pessoas que, quantas vezes contra ventos e marés, digam o que não sabemos dizer, que escutem o que não sabemos escutar, vigiando a cidade por onde andamos, distraídos, a viver.


