
XXX – Domingo do Tempo Comum
25-10-2026Esta pergunta do doutor da lei: “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?”, a que Jesus respondeu: “O primeiro é amarás a Deus e o segundo é semelhante a este – amarás o teu próximo”, fez-me lembrar o encontro de apresentação do novo Código de Direito Canónico. Depois de o conferencista ter feito as suas considerações, um colega meu, pedindo para intervir, começou por lembrar que o Código começava por uma grande lacuna, na medida em que não apresentava como primeiro Canon o amor de Deus.
Todos se puseram a rir, porque o amor não se decreta, não se obriga. O amor é fruto da liberdade e exprime-se de uma forma gratuita. Não se impõe, oferece-se.
Nos dias que correm, ouvir a resposta de Jesus ao doutor da lei apresenta-se com a mesma oportunidade, inclusive para os cristãos, porque a opinião dominante é que devemos prestar a nossa atenção, antes de mais, ao homem e às suas necessidades. Em vez de ir para a igreja ou arranjar tempo para Deus há muitas coisas a fazer.
Assim, e seguindo o conselho de muitos, o que devíamos fazer era deixar as igrejas vazias, sair da sacristia e irmos pelos caminhos, pelas estâncias do mundo, dado o muito que nele precisamos de fazer.
Ao que chegamos! Parece que Deus, Criador e Senhor de todas as coisas, é um rival do homem, um empecilho para ele fazer bem ao outro homem! … Foi-se ainda mais longe: baniu-se Deus da vida. Até os cristãos, longe de O colocarem e amarem em primeiro lugar, vivem bem sem Ele. Quando muito, relegam-nO para um lugar secundário, a não ser em circunstâncias limite, porque “primeiro estão as obrigações e só depois as devoções”.
Mais ainda: nesta perspectiva de vida, marcadamente horizontalista, em que tudo e todos, democraticamente, devem ser tratados da mesma maneira, Deus não tem prioridade para o homem…tem que esperar! …se calhar lá para o fim da vida… a gente tem mais que fazer! Ora, Deus é o Senhor absoluto, a origem fontal do homem e de tudo o que este tem. Deus é o ponto final de convergência. Para Ele tudo existe e sem Ele nada subsiste.
Mais, para o homem ter e manter a sua originalidade, riqueza e seu modo de viver, deve procurar em Deus o seu ADN. O verdadeiro ADN do homem é amar, ser capaz de amar. E como nele tudo se aprende, também só amando o Amor o homem será capaz de amar. Por isso, sempre e em primeiro lugar, o que ele mais necessita é aprender a amar amando, para pôr o amor em todas as coisas, e antes de mais, na sua relação com o outro homem.
Só com esta unção, que atinge o coração humano, é possível obter dele a riqueza de sentimentos e atitudes, que por sua vez, garantem a dignidade de cada um, o respeito, o equilíbrio e a harmonia na Criação.



