
Domingo de Ramos
29-03-2026Iniciamos hoje a celebração da Semana Santa, a semana dos grandes acontecimentos da história da Salvação, que constituem o núcleo central da vida da Igreja, e por isso, da vida de cada um dos seus membros.
Já sabeis que a vida da Igreja gravita em torno da Páscoa, a ponto de podermos dizer que ela constitui o eixo que determina o seu caminho ao longo de cada ano litúrgico. Nesse sentido, a sociedade civil permite a interrupção da atividade laboral para que os cristãos disponham das melhores condições para celebrarem a Páscoa do Senhor.
Assim sendo, não acho lógico que os que se identificam como tais aproveitem este tempo apenas, por exemplo, para irem para o Algarve, para o Brasil ou outro sítio, simplesmente para passarem uns dias de férias, de lazer, e de tal modo que, no dia de Páscoa, nem sequer se preocupem em procurar e encontrar o Senhor Ressuscitado, que é bem diferente de qualquer imagem que possam fazer dEle.
Assim como entre os namorados a atitude que cada um toma relativamente ao encontro entre ambos exprime o amor existente entre eles, também a atitude que os cristãos assumem para com a Eucaristia dominical, e particularmente em relação ao dia de Páscoa, traduz o tipo de fé que os carateriza.
A Semana Santa pode e deve ser uma oportunidade para exprimirmos e valorizarmos a nossa fé, a nossa correspondência ao amor de Jesus, de que nos vão falar estes dias. Consequentemente, vivamos e celebremos este tempo não permitindo que nos afoguem a verdade da Páscoa.
Ela constitui a Primavera anual da Igreja, e por isso, o renascimento espiritual dos seus membros: uma injeção de alegria, de energia para o resto do ano.
Que o toque das campainhas a anunciar a chegada do compasso, continue a ressoar no íntimo do nosso coração. Que o nosso enlevo em arranjar heras e flores para atapetarmos as nossas ruas continue a motivar-nos e a ser sinal do nosso empenho em tornar mais fácil a vida, a cruz dos outros.
Que a alegria partilhada do dia de Páscoa, em comunidade, em família e entre os amigos, brote do nosso íntimo e transforme o rosto das pessoas e do meio em que vivemos, contribuindo assim para que se renove a esperança e os sonhos que constroem a vida.
Que com a Páscoa o nosso comportamento seja uma voz profética, apontando para Cristo que continua vivo, a contar connosco para construirmos, também hoje, novos céus e nova terra.




