
II – DOMINGO DA QUARESMA
01-03-2026
Ceia Judaica-Cristã – Catequistas
02-03-2026Desde há muito tempo ouço dizer que não há vida boa como a do padre. A ser verdade, como se explica que havendo tanto desemprego não aproveitem esta solução, esta saída tão aliciante e segura para a sua vida, presente e futura?
Também já várias vezes ouvi quem afirmasse que a Igreja tem o melhor produto para oferecer aos interessados, que é o Evangelho de Jesus. Aliás, sendo a Bíblia o livro mais difundido no mundo, tendo levado pensadores que nunca encontraram um ideal de perfeição tão elevado como o que ela apresenta (Gandhi morreu na religião indu, mas dizia que as Bem-Aventuranças eram a tradução do seu ideal de vida, que entretanto nunca conseguiu formular), pergunta-se: Sendo assim, porque é que tão poucos católicos a leem e por ela deixam transformar a sua vida? Sendo a Igreja detentora do maior tesouro para os homens, porque é que desperta tão pouco interesse, particularmente entre os jovens?
Porque é que os bancos das nossas igrejas têm cada vez mais clareiras e as práticas religiosas estão perdendo força na vida de tantos cristãos? Porquê o seu ar e comportamento de pessoas enfastiadas da religião? Porque é que em vez do ar brilhante, flamejante que já teve, o cristianismo de hoje aparece revestido de um rosto tão cinzento e tão apagado?
Como em qualquer situação de divórcio, as razões são várias e complexas. Mas, eu diria que isto se deve a um cristianismo de casca, destituído de miolo, que só poderá vir da escuta e meditação da Palavra de Deus. Tudo isto está a acontecer porque é muito mais fácil as pessoas entreterem-se, satisfazerem-se, enganarem-se com cerimónias mais ou menos isoladas na vida, sobretudo, para marcarem determinadas fases da sua história. Muitos vêm à Igreja por razões de ordem cultural, como, pelas mesmas razões, poderiam encontrar-se noutros contextos. Sobretudo, esta situação deve-se a um cristianismo sem Cristo, e por isso, um cristianismo impessoal, frio, mais próximo de uma doutrina do que de uma vida, de uma amizade, de um compromisso com a pessoa de Jesus.
O que muda as pessoas, mais que as ideias, é o coração, e sobretudo, o exemplo de quem se sente feliz por seguir determinado ideal, por apreciar um tesouro que lhe enche o íntimo e dá outro sentido à vida. Para que nos sintamos felizes em sê-lo e arrastemos outros é necessário que na nossa vida aconteça o mesmo que ocorre entre um rapaz e uma rapariga que se enamoram. Que mudança, que transformação nas suas vidas…os pés até arranjam asas.
A desgraça é que, nos dias de hoje, para a grande maioria, a escola de fazer cristãos tem por pedagogia e didáctica não a atracção do exemplo pessoal mas o arrastamento, não a convicção mas a tradição, a que se junta o facilitismo e a demissão de tantos pais que, longe de valorizarem a sua condição de crentes, assumem diante dos filhos uma atitude permissiva, como se neste capítulo, estes fossem detentores de uma sabedoria estranhamente precoce, que já para a escola não existe.
Como facilmente se verifica, a nossa vida pessoal e comunitária precisa de uma profunda transfiguração, de um outro rosto, que não resulta de uma base mais ou menos densa, ou de camadas de pó-de-arroz, mas de uma atitude interior, que é fundamental: – escutar a Palavra de Deus e guardá-la no coração. Não se trata de ouvir, mas de escutar, isto é, seguir.




