
II – Domingo do Tempo Comum – “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do Mundo”
17-01-2026
É HOJE – NÃO PERCA – Concerto de Órgão e metais na Igreja Matriz de Gueifães.
17-01-2026Já lá vai o Natal. O presépio já saiu de cena, dentro das nossas casas e das nossas igrejas. As luzes que enfeitavam as ruas, este ano de uma forma mais generosa (porque será?) também já se apagaram. Os brinquedos e outras prendas, consideradas tão importantes, e que foram tão dispendiosas, incutindo nas crianças a ideia de que tudo é fácil, de que não falta nada, que tudo é possível arranjar, que o “Pai Natal” tudo consegue, já passaram à reforma. São precisos outros… O romantismo do Natal já está em saldo. Tudo volta ao normal. Agora é o comum, o de sempre…
Também na Igreja começamos, hoje, com o chamado “Tempo Comum”, “Tempo Ordinário”, que engloba 32 ou 33 domingos. Esta expressão litúrgica, não será de todas a mais feliz, mas a vulgarmente usada para caracterizarmos o tempo que, ao longo do ano, não coincide com os chamados “tempos fortes”: – (Advento) – Natal, (Quaresma) – Páscoa. Começa com a segunda-feira depois do tempo do Baptismo de Jesus. Sendo interrompido com o início da quaresma – 4ª Feira de Cinzas, seguindo-se-lhe o tempo da Páscoa, recomeça com a segunda-feira após a Festa do Pentecostes. Também se chama a este tempo o “tempo da Igreja”, nascido do Pentecostes.
Durante este período longo de 33 domingos, a leitura do Evangelho adquire uma maior importância, na medida em que Jesus se apresenta e pela sua Palavra, dentro de uma história concreta, que é a nossa, a de todos os dias, não tendo outra finalidade senão mostrar-Se a Si mesmo na sua vida terrena, reclamando de nós a salvação que Ele vai realizando, no nosso dia-a-dia.
Os factos e as palavras que a passagem do Evangelho de cada domingo nos oferece, aparecem-nos perspetivados, prefigurados pelos textos do Antigo Testamento, que, normalmente, preenchem a primeira leitura, (daí a sua importância, pela ligação ao Evangelho), e fazem com que a comunidade dos fiéis, ao longo do ano, reconheça como centro da sua vida a pessoa e o Senhorio de Jesus. Ele é o Senhor da Igreja, Ele é o segredo, que nos dá a força de não cairmos ou nos livrarmos da vulgaridade do tempo e do meio em que vivemos.
Como João Baptista disso nos fala, no ordinário da vida, na vulgaridade do tempo, Jesus é uma pessoa verdadeiramente estranha, que dá ou deve dar sentido à estranheza da nossa, em ordem à perfeição, à sublimidade com que todos devemos sonhar.
Eu digo que Jesus é uma pessoa estranha, porque é única de quem foi dito: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Eis o Bode expiatório da humanidade, o Justo sobre quem recai toda a maldade que enche a história humana, o que recria o mundo não aconselhando à mudança de estruturas, mas lavando, purificando o coração dos homens com a Sua dádiva.
Eu disse que Jesus dá sentido à nossa estranheza de cristãos, porque, de facto, neste mundo em que vivemos, cheio de egoísmo, de interesses, de jogadas ocultas e rasteiras, são precisos bodes expiatórios, são precisas pessoas que não partilhem desses sentimentos e objectivos, entregando-se ao chamado “voluntariado”, à “carolice”, à dádiva pelo interesse e pela causa dos outros, encontrando nisso a sua satisfação, a sua recompensa.
São precisos, “bodes expiatórios”! São estes que, normalmente, sem receber comendas e continuando relegados para o anonimato, dão valor e sentido ao que é vulgar, porque com o amor com que vivem não caiem no vulgar, e levantam quem é vitima das banalidades.




