
III – Domingo do Tempo Comum
25-01-2026O evangelho de hoje diz-nos que Jesus iniciou a sua vida pública, não em Jerusalém, mas junto ao lago de Tiberíades, nas imediações do qual passou a maior parte da sua vida pública. Reparemos que se ainda hoje falamos, por exemplo, do monstro que habita nas profundidades do lago Knesset, na Escócia, do qual não se espera se não ameaças para o ser humano, mais facilmente podemos compreender que, surpreendidos por grandes tempestades, os galileus julgavam que o lago de Tiberíades era a sede dos poderes do mal, que engoliam os barcos e os homens, que na luta pela vida, arriscavam enfrentá-los.
Diz o evangelho que Jesus passou junto do local onde Pedro e André estavam a concertar as redes do barco que era o seu ganha-pão e chamou-os. Eles deixaram o barco e o pai e seguiram Jesus.
Se estavam a concertar as redes é porque elas tinham buracos e por aí deixavam passar o peixe. Andavam a trabalhar para aquecer – dizemos nós. Para além disso, e como é do conhecimento da gente do mar, hoje concerta-se um rasgão, um buraco, amanhã surge outro.
Jesus quis dar-lhes outro futuro, tornar a sua vida mais cheia, mais realizadora. Por isso lhes disse: “Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens”. Se assim pensaram, bem cedo chegaram à conclusão de que a nova tarefa não seria mais fácil e materialmente compensadora, porque na tarefa de pescar homens, não se trabalha para obter o lucro que a venda na lota proporciona, mas para arrancar pessoas do poder dos monstros, libertando-as das guerras, das injustiças, da escravidão, da degradação humana, da indignidade de ser homem ou mulher.
Na tarefa de pescar homens não conta o dinheiro, mas os valores, o ideal, o sonho de uma humanidade diferente, isto é, saudável, a começar pelos meios onde os cristãos se encontram, onde se relacionam e as suas vidas devem ter as marcas de Jesus, como sejam: – o humanismo, a compreensão mútua e afetuosa, a unidade entre eles, apesar das diferenças que individualizam cada pessoa.
Ontem, começaram por ser doze, que tendo as suas ocupações e famílias, perante o convite e a confiança de Jesus, deixaram tudo e se dedicaram a um outro estilo de vida.
Agora já não há problemas com as redes, porque nesta barca não se pesca com rede, por arrasto, mas à linha e livremente. Não é por aparelhos enganadores que os homens são pescados, e muito menos, aqueles que se podem apelidar de “peixes de profundidade”.
Há dias radiantes pela maior abundância e tipo de peixe que se apanha. Outros mais difíceis de suportar, porque o peixe anda longe…
A vocação de Pedro e André fez-me pensar na minha vocação. Com 11 anos foi difícil deixar o pai e mãe, os irmãos e a casa, para seguir… Éramos muitas dezenas que começaram a viver em grupo e a ter Jesus como Mestre. Não faltaram alegrias e dificuldades, que enfrentamos e continuo a enfrentar nesta arte que não dá para gente aborrecida, para quem a vida é uma seca, mas para quem continua entusiasmado em pescar homens, considerando o trabalho mais importante que o lucro.




