
IV – Domingo do Tempo Comum
31-01-2026Vivemos num mundo onde, mais que noutra época, as pessoas dispõem de bens para serem mais felizes, para andarem alegres e contribuírem para que outros possam gozar da mesma situação. Mas, infelizmente, e a começar pelos mais jovens, encontramos muita gente aborrecida com a vida, cheia de fastio, queixando-se inclusive de que ela se tornou uma grande seca, de que procuram libertar-se pelo recurso a “experiências fortes”, que tantas vezes lhe queimam as asas para voar mais alto.
Será que este tempo não será favorável à felicidade? O que passou seria melhor? Também há quem julgue que isto de ser feliz já está traçado ou não para cada ser humano, mesmo antes de nascer. Ora, ninguém nasce feliz ou infeliz. Na vida, aprendemos a ser uma coisa ou outra. Embora nem sempre as circunstâncias nos sejam favoráveis, ser ou não felizes depende das nossas escolhas, dos valores por que nos regemos, dos passos que vamos dando.
A felicidade não é como uma moeda que possamos encontrar na rua, mas algo que se tem de construir, tijolo a tijolo, como uma casa, certos de que neste mundo apenas podemos gozar de momentos felizes.
A verdadeira felicidade, a felicidade completa não é neste mundo que a poderemos encontrar. Inclusive, não há receitas para a felicidade. Não há uma mas muitas felicidades. Cada um pode construir a sua, muito diferente da do vizinho. Cada um tem de percorrer o seu caminho para ser feliz. De qualquer modo poderá dizer-se que há princípios fundamentais, a de que devemos atender, para vermos realizada a nossa vida.
Nesse sentido, e antes de tudo, cada um tem de ter na vida o seu norte e por ele reger o seu comportamento. Como cristãos, este “ponto magnético” não será o dinheiro, a fama, o poder o que nos motiva, mas o Senhor. Nada sem Ele, tudo com Ele. Para vivermos dEle temos de viver com Ele. A nossa relação com Jesus é que dá um sentido novo ao que somos e ao que fazemos.
Em segundo lugar, precisamos de ter ou recuperar a capacidade de admiração. Quem não se espanta, quem não se admira com isto ou aquilo, para além de não gozar dessa riqueza, poderá dizer que está morto. Deslumbrarmo-nos com tudo o que é sublime, nobre na natureza, na arte, na vida é fundamental para sermos felizes.
A vida é mais que correr, trabalhar e dormir. A ser isto nada mais restaria que esperar pela morte. Jesus não só chamou a nossa atenção para os lírios do campo, para as aves do céu, para a generosidade de uma pobre viúva, como encontrou sentido e alegria no estar no meio dos pecadores para ser oportunidade de outra vida para eles.
É preciso investir na amizade. O ser humano apesar do que faz ou do que tem, é carente dos outros, da amizade deles e da alegria que lhe podem proporcionar. Por isso, em vez de fugir dos outros deve estar com eles e ser para eles. É isto que lhe dará sentido e felicidade na vida.
Para além do mais, não nos deixemos atropelar pelo mundo em que vivemos, que nunca mais vai ser igual àquele em que nascemos e crescemos: estável, calmo, permitindo sonhar e ver realizados, pelo menos, parte dos nossos sonhos, do que queríamos fazer da vida. Não, o mundo de hoje é cada vez mais instável e inseguro. Nele temos de aprender a viver de outra forma. A vida é uma constante viagem. Em cada dia que passa mudamos de sítio, onde devemos lançar sementes de vida. Cada vez mais me convenço que a nossa felicidade estará em vê-las florir e fortificar.




