
XI – Domingo do Tempo Comum
13-06-2026A Igreja nasce da acção evangelizadora de Jesus e dos Doze. Ela é o fruto normal, querido, o mais imediato e o mais visível dessa evangelização: «Ide, pois, ensinai todas as gentes». Ora «aqueles que acolheram a Palavra foram baptizados, e naquele dia agregaram-se a eles umas três mil almas… E o Senhor ia aumentando todos os dias os que eram salvos».
– Nascida da missão, pois, a Igreja é por sua vez enviada por Jesus. A Igreja fica no mundo quando o Senhor da glória volta para o Pai. Ela fica aí como um sinal, a um tempo opaco e luminoso, de uma nova presença de Jesus, sacramento da Sua partida e da Sua permanência. Ela prolonga-O e continua-O. Ora, é exactamente toda a Sua missão e a Sua condição de evangelizador, antes de mais nada, que ela é chamada a continuar. A comunidade dos cristãos, realmente, nunca é algo fechado sobre si mesmo. Nela, a vida íntima – vida de oração, ouvir a Palavra e o ensino dos Apóstolos, caridade fraterna vivida e fracção do pão – não adquire todo seu sentido senão quando ela se torna testemunho, a provocar a admiração e a conversão e se desenvolve na pregação e no anúncio da Boa Nova. Assim, é a Igreja toda que recebe a missão de evangelizar, e a actividade de cada um é importante para o todo.
– Evangelizadora como é, a Igreja começa por se evangelizar a si mesma. Comunidade de crentes, comunidade de esperança vivida e comunicada, comunidade de amor fraterno, ela tem necessidade de ouvir sem cessar aquilo que ela deve acreditar, as razões da sua esperança e o mandamento novo do amor. Povo de Deus imerso no mundo, e não raro tentado pelos ídolos, ela precisa de ouvir, incessantemente, proclamar as grandes obras de Deus, que a converteram para o Senhor; precisa sempre de ser convocada e reunida de novo por Ele. Que o mesmo é dizer, numa palavra, que ela tem sempre necessidade de ser evangelizada, se quiser conservar frescura, alento e força para anunciar o Evangelho. O II Concílio do Vaticano recordou e depois o Sínodo de 1974 retomou com vigor este mesmo tema: a Igreja que se evangeliza por uma conversão e uma renovação constantes, a fim de evangelizar o mundo com credibilidade.
– A Igreja é depositária da Boa Nova que há-de ser anunciada. As promessas da Nova Aliança em Jesus Cristo, os ensinamentos do Senhor e dos Apóstolos, a Palavra da vida, as fontes da graça e da benignidade de Deus, o caminho da salvação, tudo isto lhe foi confiado. É o conteúdo do Evangelho e, por conseguinte, da evangelização, que ela guarda como um depósito vivo e precioso, não para o manter escondido, mas sim para o comunicar.
– Enviada e evangelizadora, a Igreja envia também ela própria evangelizadores. É ela que coloca em seus lábios a Palavra que salva, que lhes explica a mensagem de que ela mesma é depositária, que lhes confere o mandato que ela própria recebeu e que, enfim, os envia a pregar. E a pregar, não as suas próprias pessoas ou as suas ideias pessoais, mas sim um Evangelho do qual nem eles nem ela são senhores e proprietários absolutos, para dele disporem a seu bel-prazer, mas de que são os ministros para o transmitir com a máxima fidelidade.




