
XIV – Domingo do Tempo Comum
04-07-2026
Concerto de Orgão – 11 Julho 2026 / 21:30 – Rui Fernando Soares
04-07-2026Eu sou um grande admirador das pessoas simples e humildes, que fizeram da sua humildade o segredo do seu crescimento e do seu triunfo na vida. Reconheço o valor de quem na sombra e no apagamento da noite foi tirando o seu curso e assim construindo as bases ou a estrutura das asas, que um dia lhe permitiram ser um grande industrial ou grande gestor. Ainda esta semana, me encontrei com um senhor que hoje detém uma das maiores fortunas na América do Sul, e assim se preparou numa das nossas escolas.
Quem não se lembra do sr. Adelino, jardineiro, homem simples, sem estudos, com os defeitos de qualquer homem, mas, como era cativante ouvi-lo falar da vida e das coisas da vida, objectivando-as com apartes verdadeiramente desconcertantes …
Normalmente, encontrar pessoas que falam da vida, depois de tanto a amassarem e aprofundarem no silêncio, na reflexão do dia-a-dia, é receber delas uma lição das muitas que não se aprendem dos professores da escola, mas de quem tem a experiência da vida. Há muitas verdades que saem da boca de gente que nunca aprendeu uma letra do tamanho de um boi, como também da boca e da pena dos doutores e professores universitários se exprimem verdadeiras monstruosidades, que levam o povo simples a dizer: “não sei para que andou a estudar…”
Perante o apelo à simplicidade e à humildade, de que Jesus hoje nos fala, quero antes de tudo lembrar que a simplicidade não é simplismo е humildade não ingenuidade, nem subdesenvolvimento, que tantas vezes é explorado pelos espertos e vigaristas.
A simplicidade e humildade é a virtude de quem procura a verdade e se deixa dominar por ela. Tudo o que é rebuscado, presunçoso é falso e vazio. A verdade nunca se impõe, propõe-se, aparece sempre revestida de discrição. Só brilha no pensamento e no coração de quem a encontra.
Há dois mil anos, que Jesus tocou neste problema de uma forma desconcertante, sobretudo, para os “intelectuais” de quem o povo tantas vezes diz que andaram ou andam a estudar para o enganarem.
A predilecção pelos pobres, pelos simples, pelos “incultos” denuncia que todo o tipo de cultura vem de quem a aprecia e guarda no coração, de quem aspira e inspira a verdade das coisas e que, nomeadamente, a cultura das coisas de Deus não está nos palácios, nas universidades, e até nos templos, mas no coração de todos os que, como Maria, se sentam diante dEle e lhe abrem o coração como a terra se abre para ser banhada pelo sol, ungida pelo orvalho e enriquecida pela semente da outra vida.
A verdade não está prisioneira de nenhum sistema, não depende de nenhum regime nem se esgota em qualquer escola. A verdade está no coração da gente simples, que nos encanta com a água pura do seu saber e viver, enquanto muita gente, dita culta, tem a cabeça poluída de conhecimentos plastificados.




