
XIX – Domingo do Tempo Comum
08-08-2026Temos sempre a tentação de criar uma ideia, a respeito de A ou de B, de imaginar as pessoas segundo a nossa sensibilidade, critérios e interesses. São preconceitos ou simples fantasias o que muitas vezes nos move. Depois, por isto ou por aquilo, somos obrigados pelas circunstâncias a rever a nossa atitude, que de modo algum corresponde à realidade.
Inclusive, também este procedimento acontece a respeito de Jesus. Gastamos mais tempo a imaginá-Lo que a conhecê-Lo. E entretidos por fantasias a seu respeito, podemos vê-Lo transformado num fantasma, que nos encontra na solidão e perante o medo.
Mas quando procuramos Jesus para acreditar nEle, a nossa fé encontra o conforto e a segurança de uma rocha, que nos dá a força de enfrentar as dúvidas espirituais, as debilidades do coração e as provocações do mundo em que vivemos.
As crises, as deserções, as decepções, o derrotismo têm sempre como fundo um radical desconhecimento de Jesus. De facto, há um desconhecimento que se exprime pela recusa e outro que consiste numa interpretação presunçosa, subjectiva, que O desfigura e faz dEle um fantasma. Claro que, nenhum fantasma pode solucionar os nossos problemas nem provocar, e verdadeiramente, fundamentar a nossa confiança. Só o conhecimento pessoal.
Aquele que diz “Eu sou” dá-nos asas para voar sobre as águas revoltas da vida e enfrentar ventos que são contrários. Só a fé alimentada pela Palavra de Deus, e exercitada pela caridade, pode dar-nos coragem para enfrentar e ultrapassar as contrariedades.
Por isso, é fundamental acreditarmos em Jesus e não em fantasias ou fantasmas. De contrário, surgirão decepções desnecessárias perante problemas que a vida nos traz e de que Ele não nos torna isentos.
Lembro-me dos tempos da revolução dos cravos em que, por exemplo, alguns diziam que era preciso ler o Evangelho de Jesus por uma grelha, por uma chave de interpretação como era o marxismo (hoje, outros diriam que o deveremos fazer segundo o liberalismo económico) para fazermos uma leitura correcta da história e da vida actual. Naturalmente, tal perspectiva deu azo a formas erradas, fantasistas, erróneas e fantasmagóricas de falar dEle e da sua mensagem.
A leitura correcta do Evangelho é a do que tem um coração pobre, um coração puro, deixando-se conduzir pela brisa suave do Espírito Santo. Quem assim procede, vai conhecendo Jesus, não o teme nem se desilude. Sentirá Deus perto de si para, como Pedro, lhe dizer: “Salva-me, Senhor”.




