
XVI – Domingo do Tempo Comum
19-07-2026Um tema que está sempre na boca dos jovens é o do mistério do mal. Repetidamente, estão a perguntar: “Se Deus é bom, porquê o mal? Porque não o evita?” O problema do mal do mundo é tão velho como o homem. Ninguém consegue evitá-lo nem explicá-lo, muito embora tenhamos de reconhecer e de afirmar que neste mundo nada há perfeito, rigorosamente bom, que todos os dias temos de suportar, mais ou menos, os limites da nossa condição de criaturas, o abuso da nossa liberdade e da liberdade dos outros, os factos imponderáveis da natureza, que nunca perdoa,…
Uma coisa é certa: será de admitir que Deus sendo amor e tratando-nos como filhos, não respeite a liberdade de cada um de nós, como vós pais não podeis impedir que os vossos filhos adultos façam o que profundamente vos desagrada?
E acima de tudo, se o ser de Deus é o amor, a perfeição, o bem personificado, dEle nunca poderá surgir o mal, seja qual for e em que circunstância for, no relacionamento com o homem.
Se há males que não sabemos nem conseguiremos impedir ou eliminar, há outros que estão ao nosso alcance e nos fazem muita mossa. Assim por exemplo, quando nos deparamos perante os enormes roubos, que ocorrem neste país, como verdadeira girandola, quando nos falam do tráfico de influências, do compadrio que mina o relacionamento humano e a confiança interior de quem ainda acreditava na verdade e na justiça, quando nos deparamos perante os escândalos da corrupção moral e económica, quando nos contam das jogadas sujas, que se fazem aqui e além, somos capazes de dizer: “Mas isto terá conserto? Haverá possibilidade de nos livrarmos de tantas ratazanas e de tantas toupeiras que abalam a nossa confiança e minam a nossa vida? O melhor seria fazer cair sobre determinados locais uma chuvada (de lixívia não basta) de enxofre, que derretesse todo o mal, existente à face da terra ou uma bomba que provocasse outro terramoto de Lisboa. E já agora, que não poupasse todo o tipo de gente invertida, todo o conjunto de inúteis, vigaristas e abusadores da confiança alheia.”
A lista dos que poderiam ser varridos da face da terra jamais se encontrará completa. De repente, a máquina extractora e de devastação (só por engano, claro) poderá também apanhar-me. Sim, porque eu sou bom… Não sei se alguma sondagem nos poderá informar com precisão qual é a densidade da malvadez e da desonestidade, da podridão existente neste mundo, por Km quadrado. Se fosse, ficaríamos de olhos especados.
Na seara, para onde o Senhor nos manda como semeadores, crescem, mais do que imaginamos, o bem e o mal, o ódio e o amor, a verdade e a mentira, a pureza e a podridão. Na TV não é isso o que vemos. Muito ao contrário, pelo que nos mostram, só existe o mal. Ao pensar nisto dou-me pela conta de que deve ser da balança, do desequilibro dos pratos da balança, dada a falta de fiscalização e possível rectificação. Muitos só veem e falam do mal. Falta-lhes a sabedoria de Deus, que não se cansa de nos dizer para não olharmos, apenas, para as aparências, para deixarmos que o tempo clareie as coisas e sejamos mais tolerantes para, oportunamente, sermos capazes de pôr nome às coisas: – bem ao mal, mal ao bem.




