
XXIV – Domingo do Tempo Comum
12-09-2026Se o mundo é um palco, cada um de nós é um actor, cuja intervenção, todos os dias, contribui para se fazer a história da humanidade.
Qual será a figura que fazemos? Qual é a nossa mensagem, qual é o papel que desempenhamos? Muitos há, não sei se nós próprios, que não sabem, não reparam na triste figura que andam a fazer.
Tenho a certeza de que nenhum de nós poderá dizer que nunca teve problemas com A ou com B, que nunca se incompatibilizou com isto ou com aquilo. E também, algum de nós nunca ofendeu ninguém? Algum de nós nunca foi ofendido? Como reagiu nessa altura?
À distância, pelo menos, talvez encontremos razões para ter vergonha de nós próprios, das nossas precipitações, da nossa intolerância, da nossa falta de “brecagem”, de maleabilidade para aceitar o mal dos outros e saber ultrapassá-lo. Temos medidas muito curtas. Há pessoas que em vez de medirem a vida e os actos dos outros com uma fita que demora muito a enrolar, veem tudo como se fosse na lamela do microscópio, tal a sua mesquinhes, estreiteza de espírito, miopia de olhar ou pobreza de sentimentos. E depois, admiramo-nos de que todos os dias a TV nos fale de guerras, de ameaças, de conflitos que são acalentados por verdadeiros monstros ou loucos, à frente dos povos?!
As guerras, mais ou menos violentas, estão no nosso meio: na vida laboral, social, familiar, eclesial, porque todas as guerras vêm do coração do homem onde, em vez de haver amor, tolerância, muitas vezes só encontramos egoísmo, rancor, ciúme, interesses mesquinhos, vinganças mais ou menos rasteiras.
Não resisto a contar-vos uma história, por mim verificada em Fátima: uma senhora estava sentada num degrau da escadaria. Mas, admitindo que noutro local, mais acima, pudesse estar mais à vontade, ausentou-se. Como o objectivo não foi alcançado, voltou ao ponto de partida, agora ocupado pela mesma pessoa que, inicialmente, lhe tinha dado um jeito. Mas, desta vez, queria manter-se mais refastelada, sem olhar às necessidades dos outros. A senhora voltou a pedir-lhe que se afastasse um pouco. Resposta: “Quem vai ao ar, perde o lugar”. Diz a senhora: “Havemos de caber num buraco mais pequeno”. Ripostou: “Porque está a perturbar o terço?” a que ela respondeu, e com razão: “E a senhora, que está aqui a fazer?”
De facto, para tudo é preciso ter um coração grande, onde os outros possam caber, umas vezes para lhes darmos conforto, outras, o perdão, para o que a nossa inteligência não é capaz de encontrar razões que o justifiquem.




