
XXVIII – Domingo do Tempo Comum
13-10-2024
Vigília Missionária
19-10-2024Fique toda a gente descansada: – Deus não é contra o dinheiro, nem contra os ricos deste mundo! Mais ainda: – por aquilo que eu concluo, posso também dizer que para além de não ser contra os ricos deste mundo, lamenta que só o sejam aqui e não no céu, até porque, diz Jesus: “É mais fácil um camelo entrar por o buraco de uma agulha, que um rico no reino dos céus”.
Tudo o que existe à face da terra, saído das mãos de Deus, é bom para o homem na medida em que é aproveitado para que, com os outros, se realize e seja feliz.
O dinheiro é coisa boa. Lamentável e perigoso pode ser o modo como os homens o usam, e o facto de nem todas as pessoas poderem dispor dele, na quantidade necessária, para cumprir as suas obrigações.
A respeito do dinheiro, esta é a norma de sabedoria que a minha mãe me deu: – “Olha, filho, o dinheiro não serve para nada. Só quero ter o que é preciso para não dever nada a ninguém”. Infelizmente, não é esta a perspectiva de muita gente que pelo dinheiro sacrifica tudo, a sua dignidade, os seus sentimentos, o seu descanso, o seu conforto, numa sede insaciável por aumentar o que tem, sem perguntar para quê.
Ora, a Bíblia diz-nos que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança para dominar sobre todas as coisas, para que seja rei e senhor da toda a criação. Fazer isto dignifica e engrandece o homem. O problema é quando o homem de senhor se torna escravo, quando em vez de dispor se torna dependente, quando em vez de ser se preocupa em ter o que depois vai deixar, muitas vezes, sem saber para quem.
Daqui, a necessidade da sabedoria, que consiste em ser capaz de fazer uma boa escolha, de discernir, de optar pelo mais importante, de aproveitar tudo o que promova e enriqueça o homem por dentro. A sabedoria não nasce connosco, vai-se cultivando, e de tal forma que um pai responsável não deve preocupar-se apenas em que o filho tenha muita inteligência, muita memória, muitos bens mas, sobretudo, o bom senso de fazer boas escolhas, para o que importa ser livre perante si mesmo, perante os outros, perante as coisas, encontrar harmonia dentro de si e fazer harmonia à sua volta.
A sabedoria é que nos torna capazes de sermos sujeitos da nossa própria história, que nos leva a possuirmos as coisas de que precisamos, mas sem nos deixarmos possuir por elas, que nos dá o segredo, a força de moldar o mundo à nossa medida e não sermos moldados por ele.
Diz-nos a liturgia de hoje: “Preferi a sabedoria aos reinos e aos tronos. Julguei que as riquezas nada valiam em comparação com a sabedoria. O ouro é como a areia e a prata como o lodo. Por isso, amei a sabedoria mais que a saúde e a formosura e resolvi tê-la por luz”.