
XXVIII – Domingo do Tempo Comum
09-10-2026Cada vez mais se ouve dizer que a nossa vida, a nossa saúde depende da atitude que temos à mesa ou do tipo de comida que procuramos.
Eu tento imaginar a preocupação dos pais que vêem a sua filha a ficar cada vez mais anémica, mais magra, a desaparecer de dia para dia porque não come, convicta como está de ser gorda ou para se parecer com A ou com B, que a TV apresenta como os maiores (de finura) …
E agora pergunto: – Que reacção será a de Deus, nosso Pai, perante tantos cristãos que também sofrem de anorexia, rejeitando o alimento da Palavra, da Eucaristia, da Oração, dos Sacramentos, etc. Que sentirá Deus perante tantos filhos, jovens e adultos, indiscutivelmente, magros, anémicos a rejeitarem toda a espécie de alimento, porque dizem: “Isto é uma grandessíssima seca…”
Não deixa de ser igualmente preocupante encontrar uma parte muito considerável dos que participam nas celebrações dominicais, mas que não suportam estar na igreja mais do que meia hora, ou vão para esta paróquia ou para aquela, “porque lá a missa é uma fervurinha”.
Se houver na TV um longo programa de variedades, se participarem num festival de música, que dure três horas, num jogo de futebol que tenha prolongamento e mais acessórios, terão a mesma reacção de gente enfartada? Entretanto, também reconheço que, como perante certo tipo de comida é me difícil ter apetite, e por isso vou mexendo a boca como quem masca chiclete, também admito que há tipos de celebração difíceis de assimilar.
Não esqueço outras atitudes de quem busca sempre coisas novas, efeitos especiais para a celebração ser “gira”. Embora haja toda a vantagem em recriar, em fugir da rotina, também é verdade que nas nossas igrejas há meninos e meninas à espera de uns “paparicos”, senão não comem.
Deixai que agora vos lembre os dias em que eu chegava a casa e dizia: “Ó mãe, eu trago muita fome…”. Ao ouvir isto, como ela ficava cheia de alegria, para logo me responder: “Ó rapaz, o que eu quero é que tu comas! …”.
Que alegria vermos cristãos que têm apetite das coisas de Deus. Não comem à força, não fazem que comem, não implicam com isto e com aquilo, mas saboreiam e repetem ingerindo com abundância, não ficando apenas com o imprescindível. Isto é sinal e garantia da boa saúde como o podemos supor da reacção dos beneficiados com a multiplicação dos pães: – comeram e ficaram saciados. O cristão de boa saúde é o que saboreia os manjares do Reino: – alimenta-se da Palavra, da Oração, da Eucaristia, de livros formativos, da vida em comunidade, do testemunho de outros cristãos.
A alegria dos pais é verem os filhos reunidos em volta da mesa, comendo com apetite, rindo, gracejando, sonhando juntos e entreajudando-se em acções comuns. É esta alegria que nos levará a convidar quem passe pelo caminho: “Vinde ao banquete do Reino”.




