
Solenidade da Epifania do Senhor
03-01-2026
Concerto de Reis – 10 Jan – 21:30H
03-01-2026Hoje, é dia da Epifania. Natal e Epifania são duas festas idênticas, com datas e nomes diferentes, mas no fundo têm o mesmo conteúdo: – manifestações do Senhor.
Segundo o que parece, a Epifania (que corresponde ao Natal para os cristãos orientais) terá sido a primeira festa de Natal, que surgiu em Alexandria (Egipto). A tradição popular sempre a identificou como a festa dos magos ou a festa dos reis magos. Se os magos eram ou não eram reis, se eram dois ou três, ou até mais, ninguém o sabe. Tudo isso escapa ao Evangelho e à Igreja. Uma coisa é certa, assim como no Natal encontramos o Senhor que se dá a conhecer aos pastores (imagem do povo judeu) fazê-lo também aos magos, que vieram do Oriente, isto significa que Ele se revela a todos os povos, a todos os homens.
O episódio da “estrela” tem sido objecto de uma certa investigação científica, mas independentemente de todas as hipóteses, há que reconhecê-lo como uma realidade que deverá ser decifrada segundo a mentalidade dos orientais.
Concretamente, pelo que a história nos diz, entre eles, quando nascia uma grande personagem, esse acontecimento era anunciado pelo aparecimento de uma estrela. Também, quando se tratava de um rei ou herdeiro ao trono, eles eram apelidados de “estrelas”. Por isso, a estrela dos magos não é apenas símbolo do rei Messias, mas a sua verdadeira representação. Cristo é o Rei dos reis. Por isso, esta festa chegou a transformar-se na afirmação da realeza de Jesus, reconhecida pelas ofertas dos magos, que não se sabe se eram ou não reis.
Analisando este episódio, temos de concluir que eles, como nós só pela fé, pela iluminação interior é que terão sido capazes de reconhecer e descobrir o Messias naquele humilde bebé de Belém. Só a fé torna possível que se veja para além das aparências, em profundidade.
Entre outras lições que o comportamento dos magos nos dá poderá ter sido a intenção de S. Mateus em destacar a receptividade e a fé deles, face à insensibilidade, à cegueira e à descrença dos judeus.
Enquanto dos primeiros diz: “Vimos a sua estrela e viemos adorá-lo”, destes diz: “veio para aqueles que eram seus e não o receberam”. Esta diferença de atitudes entre os magos (pagãos) e os judeus (povo eleito de Deus) é sublinhada por alguns padres da Igreja, nomeadamente, neste texto muito interessante: “Os magos, que estavam longe, alegram-se, ao passo que, os escribas – que estavam perto, se entristeceram. As pessoas da casa (os judeus) foram ao encontro do Menino com espadas. Os estranhos acorreram com os seus dons”. E ainda: “No nascimento de Cristo, os caldeus alegram-se. Jerusalém, os seus habitantes e dirigentes ficaram aterrorizados. O judeu perseguia, o mago adorava. Herodes afiava a espada. Os magos preparavam os seus dons”…
Por isso, os magos sempre foram tidos com primícias da Igreja que, como sabemos, cresceu sobretudo, entre os pagãos, afastando-se progressivamente da Sinagoga. A atitude dos magos perante o Menino de Belém é a expressão antecipada de uma Igreja sem fronteiras, e não encerrada nos limites da raça, do sangue, mas aberta a todos os povos.
Se, ontem, os magos descobriram o Salvador no Menino de Belém, hoje, sejamos capazes de O descobrir no pão, no vinho do altar ou na pessoa do irmão que encontramos na rua.




