
Baptismo do Senhor – “Este é o meu Filho”
12-01-2026
Vitae – Informação – Edição Nº 169
12-01-2026Como julgo que sabeis, a palavra baptismo significa mergulho. Alguém poderá achar muito estranho que assim seja, porque na realidade, hoje, na Igreja Católica, não vemos qualquer mergulho. Assim é.
Este rito de mergulhar na água corrente dos rios, tidos como sagrados, corresponde a práticas de muitas religiões e muito antigas, nomeadamente a hindu. Exprime o desejo de o homem se purificar interiormente, dado o seu sentimento de imperfeição e de culpa.
A Igreja primitiva também começou por adoptar este gesto, não tanto para exprimir a situação anterior, de que a água é sinal, mas sobretudo, para traduzir uma outra realidade: a vida nova que nos vem de Deus e de que não há imagem mais perfeita que a água.
De facto, para além dos cientistas confirmarem que a vida veio da água, todos experimentamos não ser possível manter qualquer forma de vida sem ela. Para além disso, se pelo baptismo e pelo poder da morte e ressurreição de Jesus nos tornamos novas criaturas, morrendo para um determinado estilo de vida e para nos decidirmos a uma outra forma de viver, não há maneira mais adequada para o exprimirmos senão através do mergulho. Eis porque, S. Paulo dizia que no baptismo “nos sepultamos com Cristo para a morte e ressurgimos para a vida”.
Na Igreja primitiva, este mergulho começou por realizar-se nas águas correntes (e por isso mais puras). Entretanto, começou-se a construir nas igrejas uma espécie de pequenas piscinas para nelas realizar o baptismo.
Dentro da Europa nunca as encontrei, a não ser na Turquia. Muito interessantes. De forma rectangular, têm três degraus de um lado e três degraus de outro. O que iria ser baptizado descia, era mergulhado na água três vezes, em correspondência a cada uma destas afirmações: creio em Deus Pai – creio em Jesus Cristo seu Filho – creio no Espírito Santo.
Depois desta tríplice confissão de fé, que mais uma vez nos mostra que o ser cristão não é outra coisa senão o enxertar-se em Deus para viver dEle, quem presidia ao baptismo dizia: “Eu te baptizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.
Realizado este rito, o neófito subia os outros três degraus, do outro lado, onde encontrava alguém que lhe dava uma veste branca para manter vestida durante oito dias, sendo deposta no dia de Pascoela (porque o baptismo só se realizava na madrugada do dia de Páscoa).
Esta veste branca era mais um símbolo da vida nova, que se recebe pelo baptismo.
Até ao Séc.X – XII, o baptismo ainda era celebrado por mergulho. Depois, por razões de comodismo ou facilitismo, esta prática foi entrando em desuso. De qualquer modo a ideia de novidade está associada ao gesto de derramar a água sobre a cabeça, na medida em que nos leva a evocar que uma vida desaparece e outra se afirma pelo poder das três pessoas divinas.




