
Reflita Comigo – XVIII Domingo do Tempo Comum – “Dai-lhes Vós de Comer”
31-07-2026De 24 a 26 de julho, a Pastoral da Juventude da nossa paróquia colocou as mochilas às costas e fez-se ao caminho até São Bento da Porta Aberta. A viagem começou de comboio até Barcelos e, a partir daí, seguindo pelos trilhos sinalizados. A Paróquia de Real e o Santuário da Nossa Senhora da Abadia foram os locais de repouso nas duas noites antes de se alcançar o destino.
Mas esta nunca foi apenas uma caminhada.
Não fomos até São Bento por uma questão de devoção particular, nem porque o importante fosse apenas chegar ao Santuário. Fomos porque acreditámos que o próprio caminho teria algo para nos ensinar. E teve.
Entre subidas exigentes, quilómetros de silêncio, gargalhadas inesperadas, momentos de cansaço, oração, descanso e entreajuda, fomos descobrindo que caminhar é muito mais do que avançar. É aprender a esperar pelo ritmo do outro, a estender a mão quando alguém precisa, a aceitar ajuda quando as forças começam a faltar e a perceber que ninguém chega verdadeiramente sozinho.
Numa das nossas t-shirts levávamos escrita uma frase que acabou por resumir toda a experiência: “Não é sobre chegar. É sobre quem te tornas em cada passo.” E talvez tenha sido precisamente isso que vivemos.
São Bento acompanhou-nos ao longo destes dias. A tradição conta que um corvo o salvou de um pão envenenado, levando-o para longe antes que lhe causasse mal. Não foi por acaso que este animal se tornou símbolo destes caminhos. Tal como São Bento, também nós somos convidados a confiar que Deus coloca pessoas, sinais e gestos concretos no nosso percurso para nos proteger, orientar e recordar que nunca caminhamos sozinhos.
Quando finalmente chegámos ao Santuário de São Bento da Porta Aberta, participámos na Eucaristia e agradecemos a Deus tudo o que aqueles dias tinham despertado em nós. Porque o verdadeiro destino já não era apenas um lugar. Era o coração de cada um, transformado por tudo o que viveu ao longo da caminhada.
Regressámos a casa cansados, mas felizes. Levámos connosco muito mais do que fotografias ou quilómetros percorridos. Levámos amizades fortalecidas, fé renovada e a certeza de que, tal como na vida cristã, também nos caminhos há momentos difíceis, pausas necessárias, encontros inesperados e uma meta que só faz sentido quando é percorrida em comunidade.
Que nunca nos falte a coragem de continuar a caminhar, porque, afinal, não é sobre chegar. É sobre quem nos vamos tornando pelo caminho.
Texto: Pastoral da Juventude da Paróquia de Gueifães








